Um homem de 61 anos, diabético, chega a uma clínica de Goiânia com uma ferida no pé que não fecha há quatro meses. Curativos, antibiótico, repouso: nada adiantou. O cirurgião vascular indica sessões diárias de oxigenoterapia hiperbárica. Dentro de uma cápsula pressurizada, respirando oxigênio puro por 90 minutos, o tecido do pé recebe uma oferta de oxigênio que a circulação comprometida não consegue entregar.
Cenas como essa explicam a dúvida mais buscada sobre o assunto. Câmara hiperbárica para que serve é a pergunta que milhares de pessoas fazem ao Google todo mês, muitas delas em Goiânia, onde os centros de medicina hiperbárica atendem pacientes de todo o estado.
A resposta tem base regulatória. No Brasil, as indicações da oxigenoterapia hiperbárica (OHB) estão definidas pela Resolução CFM 1.457, de 1995, do Conselho Federal de Medicina, e detalhadas nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica. Não é um tratamento para tudo, e a lista do que funciona é bem delimitada.
O que é a câmara hiperbárica e como funciona
A câmara hiperbárica é um compartimento fechado, de aço ou acrílico, no qual a pressão interna sobe acima da pressão atmosférica, em geral entre duas e três vezes o valor do nível do mar. Dentro dela, o paciente respira oxigênio a 100%, em vez dos 21% do ar comum. Existem câmaras monoplace, para uma pessoa deitada, e multiplace, em que vários pacientes ficam sentados e recebem o gás por máscara ou capuz.
A física explica o efeito. Sob pressão, o oxigênio se dissolve no plasma sanguíneo em quantidade muito maior do que a hemoglobina sozinha consegue transportar. Esse oxigênio dissolvido alcança tecidos com circulação ruim, onde as hemácias não chegam em número suficiente, e por isso o método funciona onde o oxigênio por cateter ou máscara comum falha.
Mais oxigênio no tecido significa mais energia para a célula reparar o que está danificado.
Nesses tecidos, a OHB reduz o edema, estimula a formação de novos vasos, aumenta a atividade das células de defesa contra bactérias, favorece a produção de colágeno e ajuda a formar calo ósseo em fraturas de consolidação lenta. Segundo as diretrizes da SBMH, o protocolo mais usado é a pressão de 2,4 atmosferas absolutas com oxigênio a 100% por 90 minutos, em sessões diárias.
Câmara hiperbárica para que serve, segundo o CFM
A Resolução CFM 1.457/95 reconhece a OHB para situações agudas e crônicas bem definidas. Entre as emergências estão a doença descompressiva de mergulhadores, a embolia gasosa, a intoxicação por monóxido de carbono ou por inalação de fumaça, a gangrena gasosa e as infecções necrotizantes de pele e partes moles, como a síndrome de Fournier.
Na lista das lesões agudas entram as isquemias traumáticas, como esmagamentos, síndrome compartimental e reimplante de membros amputados, além de queimaduras extensas e vasculites agudas causadas por alergia, medicamentos ou toxinas de animais peçonhentos.
O grupo mais frequente nos consultórios, porém, é o das feridas crônicas: úlcera do pé diabético, úlceras venosas e arteriais que não cicatrizam, escaras de decúbito, enxertos e retalhos com risco de perda, osteomielite crônica refratária e sequelas de radioterapia, como a osteorradionecrose e a cistite ou proctite actínica. A surdez súbita também aparece entre as indicações aceitas.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar incluiu a oxigenoterapia hiperbárica no Rol de Procedimentos com cobertura obrigatória para planos de segmentação hospitalar, seguindo diretriz de utilização que reproduz boa parte dessa lista. Isso significa que, dentro das indicações, o plano de saúde precisa custear as sessões; fora delas, a cobertura pode ser negada. O assunto continua na reportagem sobre RPG fisioterapia, com orientações práticas.
Como é o tratamento na prática
O primeiro passo é uma avaliação com o médico hiperbarista ou com o especialista que acompanha a doença de base, muitas vezes um cirurgião vascular em Goiânia no caso de feridas e pé diabético. Ele confirma a indicação, checa os riscos e define o número de sessões, que varia de poucas, nas intoxicações, a 30 ou 40, nas feridas crônicas.
Cada sessão dura entre 60 e 120 minutos, com os 90 minutos como padrão. O paciente entra com roupa de algodão fornecida pelo serviço, sem objetos metálicos, eletrônicos ou cremes à base de óleo, por causa do risco de incêndio em ambiente rico em oxigênio. Durante a compressão, a sensação é a mesma do avião descendo: pressão nos ouvidos, aliviada engolindo ou bocejando.
Escolher o serviço faz diferença. A câmara precisa atingir a pressão exigida pela doença tratada, renovar o oxigênio para manter a concentração em 100% durante toda a sessão e seguir protocolos de segurança, com equipe treinada acompanhando de fora. Conforto também conta, já que são muitas sessões seguidas.
Feridas de pé diabético costumam ser acompanhadas por equipe que une vascular, endocrinologia e enfermagem de curativos. Um cirurgião vascular de Goiânia pode avaliar a circulação do membro antes de indicar a OHB; convênio e agenda devem ser confirmados direto com o consultório.
Câmara hiperbárica emagrece, trata fibromialgia e melhora o esporte
Não emagrece. A oxigenoterapia hiperbárica não altera o gasto calórico de modo relevante nem tem registro para tratamento de obesidade. Quem chega perguntando câmara hiperbárica para que serve com esse objetivo não vai encontrar respaldo na lista do CFM nem na diretriz da SBMH.
Fibromialgia, fadiga crônica e algumas doenças neurológicas aparecem em estudos preliminares e em serviços que oferecem a OHB como tratamento complementar, com relato de melhora de dor e de qualidade de vida em parte dos pacientes. São usos ainda considerados experimentais, sem cobertura obrigatória, e devem ser discutidos com franqueza sobre o que a evidência sustenta.
No esporte, a câmara é usada por clubes e atletas para acelerar a recuperação de lesões musculares, ligamentares e tendíneas e de fraturas de consolidação lenta, com base no mesmo raciocínio das feridas: mais oxigênio no tecido lesado, menos edema, reparo mais rápido. Estudos apontam aumento da tolerância ao exercício após sessões, mas o ganho de desempenho em atleta saudável não está estabelecido. Há uma reportagem específica sobre dois planos de saúde que complementa esta leitura.
Contraindicações e riscos
A única contraindicação absoluta é o pneumotórax não tratado, porque o ar preso no tórax se expande na descompressão. As relativas incluem epilepsia sem controle, congestão nasal ou infecção de ouvido que impeça a equalização, doença pulmonar obstrutiva com bolhas, gravidez, claustrofobia e o uso de alguns quimioterápicos, como a doxorrubicina e a cisplatina.
Os efeitos adversos mais comuns são barotrauma de ouvido, alteração passageira da visão por miopia temporária e, em raros casos, convulsão por toxicidade do oxigênio, controlada de imediato pela equipe. Contraindicações relativas costumam ser contornadas adiando o início, tratando a condição ou ajustando a medicação.
Dentro das indicações, e com equipe preparada, a OHB é um tratamento seguro. Fora delas, é gasto sem retorno.
Perguntas frequentes sobre câmara hiperbárica
Câmara hiperbárica para que serve?
Serve para levar oxigênio em alta concentração a tecidos com circulação comprometida. O CFM reconhece o uso em feridas que não cicatrizam, como pé diabético e úlceras, infecções graves de partes moles, intoxicação por monóxido de carbono, doença descompressiva, danos da radioterapia, isquemias traumáticas, queimaduras e surdez súbita.
O que é oxigenoterapia hiperbárica?
É o tratamento em que o paciente respira oxigênio a 100% dentro de uma câmara pressurizada, em geral a 2,4 atmosferas absolutas, por cerca de 90 minutos. A pressão faz o oxigênio se dissolver no plasma e alcançar tecidos que as hemácias não conseguem suprir de modo adequado.
Câmara hiperbárica emagrece?
Não. A oxigenoterapia hiperbárica não tem indicação nem evidência para perda de peso, e não aparece nas listas do Conselho Federal de Medicina ou da Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica com esse fim. Emagrecimento exige acompanhamento com endocrinologista ou nutrólogo, dieta e atividade física.
Quantas sessões de câmara hiperbárica são necessárias?
Varia com a doença. Intoxicações e embolias podem precisar de uma a poucas sessões. Feridas crônicas, pé diabético e sequelas de radioterapia costumam exigir de 20 a 40 sessões diárias, de 90 minutos cada. O médico hiperbarista define o número na avaliação inicial e reavalia ao longo do tratamento.
Câmara hiperbárica em Goiânia é coberta pelo plano de saúde?
Dentro das indicações da diretriz de utilização da ANS, a cobertura é obrigatória para planos com segmentação hospitalar em todo o país, inclusive em Goiânia. Fora dessas indicações, o plano pode negar. A confirmação da cobertura deve ser feita com a operadora, com o laudo e a indicação médica em mãos.
Resumo
Câmara hiperbárica para que serve tem resposta definida pelo CFM: feridas crônicas, pé diabético, infecções graves, intoxicações por gás, doença descompressiva e lesões causadas por radioterapia. O paciente respira oxigênio puro sob pressão por cerca de 90 minutos por sessão. Não emagrece, e usos em fibromialgia e esporte ainda são experimentais. A contraindicação absoluta é o pneumotórax não tratado.





