Marta, 68 anos, moradora do Setor Bueno, em Goiânia, contou os degraus da escada do prédio durante três anos antes de aceitar a cirurgia. Eram 14. Na última semana antes de operar, ela subia dois, parava, respirava e seguia.
Hoje sobe todos de uma vez, sem pensar no joelho.
Histórias assim se repetem nos consultórios de ortopedia da capital goiana, e é por isso que tanta gente procura depoimentos de pessoas que colocaram prótese no joelho antes de marcar a data. O medo costuma ser o mesmo: a dor do pós-operatório, o tempo parado e a dúvida sobre voltar a andar direito. Os relatos reunidos nesta reportagem foram compostos a partir de experiências comuns descritas por pacientes e pela literatura médica, e os nomes foram trocados.
O que eles contam vai da decisão de operar até o que fariam diferente. Passa pela dor das primeiras noites, pela fisioterapia que ninguém consegue pular e pelo momento, lá pelo sexto mês, em que a prótese deixa de ser assunto.
A decisão de operar: quando o joelho manda no dia
Ninguém decide de uma hora para outra.
Marta tentou infiltração, perdeu sete quilos e fez hidroginástica por um ano inteiro. A dor voltava sempre.
A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia orienta que a artrose do joelho seja tratada primeiro sem cirurgia, com perda de peso, analgésicos e fortalecimento muscular, e que a prótese entre em cena quando esse caminho se esgota.
Foi o caso de Jorge, 71, aposentado de Anápolis. Ele chegou ao ponto de dormir com o joelho apoiado num travesseiro e acordar duas vezes por noite. "Quando a dor passou a me acordar, entendi que não dava mais", conta. O ortopedista mostrou a radiografia com osso encostando em osso, sem cartilagem entre eles, e explicou que o implante substituiria justamente essa superfície gasta.
O volume dessas cirurgias no país dá uma ideia de quanta gente chega a esse ponto. Um levantamento publicado na Revista Brasileira de Ortopedia com dados do Datasus contou 189.457 cirurgias de artroplastia de quadril e joelho pelo SUS entre 2008 e 2015, somando próteses primárias, revisões e implantes não convencionais. O título do estudo já resume a leitura dos autores: uma realidade assistencial preocupante.
Prótese navegada e prótese robótica de joelho em Goiânia
Na hora de escolher a técnica, Marta ouviu falar em prótese navegada. A navegação usa um computador que lê sensores fixados no osso durante a cirurgia e mostra ao cirurgião, em tempo real, os ângulos de corte e o alinhamento da perna. A versão robótica segue a mesma lógica, com um braço mecânico que limita a serra ao plano programado. Em Goiânia, os dois recursos já são oferecidos por algumas equipes, e a cobertura pelo convênio precisa ser conferida caso a caso.
Ela optou pela navegada. "O médico me explicou que o alinhamento sai mais preciso, e eu queria o máximo de chance de o implante durar", lembra. A explicação completa sobre como funciona a prótese navegada de joelho está em outra reportagem da revista.
A cirurgia em si durou pouco menos de duas horas. Anestesia na coluna, sedação leve, e ela acordou na sala de recuperação com a perna enfaixada e um dreno. Jorge, operado pela técnica convencional, descreve a mesma cena. A diferença, para ele, apareceu depois: "Ninguém me falou que o pior dia seria o segundo."
Depoimentos de pessoas que colocaram prótese no joelho: os primeiros dias
A dor das primeiras 48 horas é o ponto em que os relatos mais convergem. O bloqueio anestésico segura o desconforto no dia da operação. Quando ele passa, a perna pesa, o joelho incha e dobrar dói. Marta deu nota oito para a dor do segundo dia, mesmo com a medicação venosa de horário. No quarto dia, já em casa, a nota caiu para cinco.
Andar tão cedo surpreendeu os dois. Jorge ficou em pé com o andador na manhã seguinte à cirurgia, com a fisioterapeuta do hospital ao lado. Deu doze passos até a porta do quarto e voltou. "Achei que fosse ficar uma semana na cama. Foi o contrário." Levantar logo previne trombose e acelera a recuperação, e por isso as equipes insistem nisso.
A alta veio no terceiro dia para os dois. Em casa, a rotina virou uma lista repetida: gelo por vinte minutos, remédio de horário, meia elástica, exercícios de dobrar e esticar na cama. Cláudia, 64, professora aposentada de Rio Verde, montou um quadro na geladeira com os horários. "Sem isso eu esquecia o comprimido e a dor voltava com tudo."
Ela lembra de ter sentido medo ao ver o tamanho do roxo na coxa e na panturrilha na primeira semana. O hematoma se espalha pela gravidade e assusta, mas faz parte. O que não faz parte, e que ela aprendeu a vigiar, é panturrilha dura e quente, febre acima de 38 graus e secreção no curativo. Nessas situações, a orientação é ligar para a equipe no mesmo dia.
Fisioterapia: a parte que ninguém consegue pular
Na segunda semana começa a fisioterapia fora de casa, em geral três vezes por semana. É aqui que os depoimentos de pessoas que colocaram prótese no joelho ganham um tom parecido, misto de queixa e gratidão. Marta chorou na terceira sessão, quando a fisioterapeuta forçou a flexão até 90 graus.
"Doeu muito. E na semana seguinte eu dobrava sozinha até ali."
A meta dos primeiros 30 dias costuma ser esticar a perna por completo e dobrar até 90 graus. Sem isso, a articulação pode ficar rígida, e recuperar movimento depois é bem mais difícil. Jorge aprendeu da pior forma: faltou a duas semanas de sessões por causa de uma gripe e voltou com o joelho travado em 70 graus. Levou um mês para recuperar o terreno perdido.
Quem mora longe da capital organiza a agenda em torno disso. Cláudia fez as sessões em Rio Verde mesmo e voltava a Goiânia só para as consultas de revisão. Quem opera com um ortopedista especialista em joelho em Goiânia recebe o protocolo de fisioterapia por escrito, e a orientação é confirmar convênio e agenda diretamente com o consultório antes de marcar a primeira avaliação.
O andador durou duas semanas para Marta e três para Jorge. Depois veio a bengala, usada do lado oposto ao joelho operado. Cláudia largou a bengala com cinco semanas, mas guardou para os dias de chuva.
"O medo de escorregar é maior do que a dor."
Três meses e seis meses depois: o que mudou
Aos três meses, os três já andavam sem apoio, dirigiam e faziam compras no supermercado. A perna ainda inchava no fim do dia. Marta descreve um calor no joelho depois de caminhar mais de meia hora, que sumia com gelo e a perna para cima.
Subir escada já era tranquilo. Descer, nem tanto.
O sexto mês aparece nos relatos como o divisor. É quando a prótese deixa de ser lembrada a cada passo. Jorge voltou a pescar no Araguaia e ficou em pé na canoa pela primeira vez em quatro anos. Cláudia retomou a caminhada de cinco quilômetros no parque. A força da coxa ainda era menor que a do outro lado, e o fisioterapeuta manteve os exercícios de fortalecimento por mais três meses.
Sobre ajoelhar, os três dizem a mesma coisa: dá, mas não é confortável. A sensação de pressão sobre a cicatriz incomoda. Para rezar, cuidar do jardim ou pegar algo no chão, eles adaptaram: um banquinho baixo, uma almofada, ou simplesmente agachar apoiando na outra perna.
Arrependimentos e o que fariam diferente
Nenhum dos três se arrepende de ter operado.
O arrependimento, quando aparece, é de ter esperado tanto. "Perdi três anos de escada por medo de uma cirurgia que resolveu em seis meses", diz Marta. Jorge concorda e acrescenta que teria preparado a casa antes: tapete tirado, barra no banheiro, cadeira mais alta na cozinha.
Cláudia faria diferente na parte emocional. Ela não esperava a tristeza da terceira semana, quando a dor já não era tão forte mas o joelho ainda não obedecia. "Achei que tinha dado errado. Não tinha. Era só o ritmo da coisa." Conversar com outra paciente operada no mesmo hospital ajudou mais do que qualquer folheto.
Os três também citam a fisioterapia como o item em que economizar sai caro. Fazer menos sessões do que o prescrito para reduzir gasto custou semanas a mais de recuperação para Jorge. Quem tem plano de saúde deve conferir com antecedência quantas sessões estão cobertas e como funciona a autorização.
Quando procurar o ortopedista antes de operar
A prótese entra na conversa quando a dor limita atividades simples, como andar 500 metros, subir uma escada ou levantar da cadeira, e quando o tratamento sem cirurgia, feito com seriedade por meses, não deu conta.
Idade sozinha não decide. Um paciente de 58 anos com artrose avançada pode ter indicação, e um de 80 com dor leve pode nunca precisar.
O primeiro passo é a consulta na especialidade de ortopedia e traumatologia, com radiografia feita em pé, que mostra o quanto de cartilagem se perdeu com o peso do corpo sobre a articulação. A partir daí se discute se o implante será total ou parcial, qual técnica faz sentido e como será a recuperação. Chegar ao consultório com dúvidas anotadas ajuda. Os pacientes ouvidos recomendam perguntar sobre o tipo de prótese, a técnica de alinhamento, o tempo de internação previsto, o protocolo de fisioterapia e o que fazer se a dor passar do esperado.
Perguntas frequentes sobre prótese no joelho
Quanto tempo leva para andar normalmente depois da prótese no joelho?
A maioria fica em pé com andador no dia seguinte à cirurgia e troca para bengala entre a segunda e a quarta semana. Andar sem apoio, com passada natural, costuma acontecer entre seis e doze semanas. A marcha só fica de fato normal, sem mancar no fim do dia, por volta do sexto mês.
O que é prótese navegada de joelho e ela existe em Goiânia?
É a artroplastia feita com auxílio de um sistema de navegação, que lê sensores fixados no osso e mostra ao cirurgião os ângulos de corte em tempo real. O objetivo é alinhar melhor o implante. Em Goiânia, algumas equipes já operam com essa tecnologia, e a disponibilidade depende do hospital e do convênio.
Prótese robótica de joelho em Goiânia vale a pena?
A versão robótica acrescenta um braço mecânico que limita os cortes ao plano planejado. A precisão tende a ser maior, mas ainda não está provado que o implante dure mais por isso. Vale conversar com o cirurgião sobre custo, cobertura e experiência da equipe, e ler a reportagem sobre prótese de joelho antes da consulta.
A prótese de joelho dói muito depois da cirurgia?
Os relatos apontam o segundo e o terceiro dia como os piores, com dor forte controlada por medicação de horário. A partir da primeira semana a dor cai e passa a aparecer principalmente durante a fisioterapia. Dor que piora depois da segunda semana, com febre ou vermelhidão, precisa de avaliação médica.
Quantos anos dura uma prótese de joelho?
Depende do peso, do nível de atividade, da qualidade do osso e do alinhamento obtido na cirurgia. Para boa parte dos pacientes a durabilidade é medida em décadas, e não em anos. Revisões periódicas com radiografia permitem identificar desgaste ou soltura antes de virar dor.
Resumo
Os depoimentos de pessoas que colocaram prótese no joelho convergem em três pontos. A dor forte dura poucos dias e é controlável. A fisioterapia decide o resultado. E o arrependimento, quando existe, é de ter adiado. Quem convive com dor que limita andar e subir escada deve procurar avaliação ortopédica em vez de esperar mais.





