Um contador de 46 anos, morador de Anápolis, passa uma semana com tosse seca depois de uma gripe. Na sexta-feira, num acesso mais forte, sente um estalo do lado esquerdo do tórax. Dali em diante, cada respiração funda dói, virar na cama dói, e apertar o ponto com o dedo reproduz a dor exata. Ele pensa em coração, vai ao pronto-socorro, faz eletrocardiograma normal e sai com um diagnóstico que nunca tinha ouvido: fratura de costela por tosse.
A dor na costela esquerda leva muita gente à emergência com medo de infarto, e o medo faz sentido, porque o coração fica ali. Mas a lista de causas é longa e a maioria delas está na parede do tórax: cartilagem inflamada, músculo contraturado, costela trincada. Outra parte vem dos órgãos que moram sob as costelas esquerdas, o baço, o estômago, o pâncreas e o rim.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia estima, na sua diretriz de dor torácica na unidade de emergência, cerca de 4 milhões de atendimentos por dor no peito por ano no Brasil, e de metade a dois terços desses pacientes não confirmam causa cardíaca. Uma fatia relevante recebe, no fim, diagnóstico musculoesquelético.
Entender as diferenças ajuda a chegar ao consultório certo.
Qual órgão fica abaixo da costela esquerda
As costelas do lado esquerdo protegem, de cima para baixo, o pulmão esquerdo e o coração, que fica ligeiramente deslocado para a esquerda. Nas últimas costelas, já perto da cintura, ficam o baço, atrás e à esquerda, a parte alta do estômago, a cauda do pâncreas e o polo superior do rim esquerdo. A flexura esquerda do intestino grosso passa logo abaixo.
Essa vizinhança explica por que a mesma queixa pode ter origens tão diferentes. Uma dor abaixo da costela esquerda, pior depois de comer e com queimação, tende a ser do estômago. Já a que aparece depois de uma refeição gordurosa, irradia para as costas e traz náusea pode ser do pâncreas. No flanco esquerdo, dor que desce para a virilha, em ondas, com sangue na urina, é típica de cálculo renal.
O baço raramente dói, a não ser quando cresce, como em algumas infecções virais, ou quando sofre trauma. Nessa situação a dor é forte, à esquerda e sob as costelas, e pode irradiar para o ombro esquerdo, um sinal que os médicos chamam de sinal de Kehr.
Dor na costela esquerda que piora ao apertar: parede do tórax
Quando apertar a costela com o dedo reproduz a dor, a origem quase sempre é a própria parede torácica, e não um órgão interno. Órgãos internos não doem à palpação superficial.
É a primeira triagem que o médico faz, e o paciente pode fazer em casa. Quem quer se aprofundar encontra o tema detalhado na matéria sobre haloterapia.
A costocondrite é a causa mais frequente desse grupo. Trata-se da inflamação das cartilagens que ligam as costelas ao esterno, o osso do meio do peito. A dor fica na frente, em geral entre a segunda e a quinta costela, piora ao respirar fundo, ao tossir e ao pressionar o ponto, e pode durar semanas. Aparece após esforço repetitivo, tosse prolongada ou infecção viral, e também sem causa clara. Não há inchaço visível; quando há, o nome muda para síndrome de Tietze. Quem quer se aprofundar encontra o tema detalhado na matéria sobre câimbra na perna.
A contratura dos músculos intercostais, que ficam entre uma costela e outra, tem quadro parecido, mas a dor acompanha o trajeto da costela e piora ao torcer o tronco ou levantar o braço. É comum depois de treino de musculação, mudança de móveis ou de dormir em posição ruim. Dor nas costelas esquerdas iniciada nas costas, que contorna até a frente, costuma ter essa origem. O assunto continua na reportagem sobre dor no braço esquerdo, com orientações práticas.
A fratura de costela por tosse, como a do contador de Anápolis, acontece quando a tosse repetida excede a resistência do osso, sobretudo em quem tem osteoporose, asma ou bronquite crônica. Dói de forma localizada e intensa, e qualquer movimento do tórax piora. A radiografia nem sempre mostra a linha de fratura no primeiro dia; o diagnóstico é clínico e a consolidação leva de quatro a seis semanas. Um ortopedista em Goiânia avalia se há necessidade de exame de imagem e orienta analgesia e cuidados respiratórios; convênio e agenda devem ser confirmados no consultório.
Quando a causa não é ortopédica
O infarto é a causa que ninguém pode deixar passar. A dor cardíaca típica é de aperto ou peso, no centro do peito ou à esquerda, que se espalha para o braço, o pescoço ou a mandíbula. Não muda com a respiração nem com a palpação, e vem com suor frio, náusea e falta de ar. Se a dor na costela esquerda tem esse perfil, a orientação é ligar para o 192 na hora.
A pericardite, inflamação da membrana que envolve o coração, produz dor em pontada à esquerda que piora deitado e melhora sentado com o tronco inclinado para a frente. Costuma vir após infecção viral. Já a embolia pulmonar causa dor em pontada que piora ao respirar, com fôlego curto de repente, e é mais provável em quem ficou muito tempo imobilizado, fez cirurgia recente ou usa anticoncepcional hormonal.
Pneumonia e pleurite dão dor ao respirar fundo com febre e tosse produtiva. O pneumotórax, ar entre o pulmão e a caixa torácica, provoca dor súbita com dificuldade para respirar, e atinge com mais frequência homens jovens, altos e magros, ou fumantes.
Nenhum desses quadros espera.
Gases presos embaixo das costelas esquerdas são uma queixa comum e real. O ângulo esplênico do cólon fica exatamente ali, e o acúmulo de gás nessa curva distende a parede intestinal e produz dor em cólica, que alivia ao evacuar ou eliminar gases. A gastrite e a úlcera do estômago também doem nessa região, com queimação que piora em jejum ou após café, álcool e anti-inflamatórios.
Doenças reumáticas entram na lista quando a dor da parede torácica se repete, vem com rigidez matinal ou acompanha dor em outras articulações. A espondilite anquilosante, por exemplo, inflama as articulações entre as costelas e a coluna e limita a expansão do tórax. Um reumatologista em Goiânia investiga esses quadros com exames de sangue e imagem; a confirmação de convênio e horários é feita direto com a clínica.
Sinais de alerta e como é a investigação
Alguns sinais tiram a dor da rotina do consultório e a levam ao pronto-socorro: dor de aperto que se espalha, suor frio, respiração curta, desmaio, febre alta, tosse com sangue, dor após trauma forte e abdome endurecido. Nessas situações a recomendação é chamar o 192 ou ir à emergência mais próxima.
Fora deles, a investigação começa com a conversa e o exame físico. O médico pergunta como a dor começou, o que a piora e a melhora, e aperta o tórax ponto a ponto. Radiografia de tórax, eletrocardiograma e exames de sangue completam a avaliação quando há dúvida. Ultrassom de abdome entra quando a suspeita recai sobre baço, rim ou pâncreas.
Esse exame clínico, sozinho, define a origem na maior parte dos casos.
O tratamento das causas da parede torácica é conservador: analgésicos ou anti-inflamatórios por período curto, calor local, pausa nos movimentos que disparam a dor e, na fratura, respiração profunda algumas vezes por dia para evitar atelectasia. Os ortopedistas de Goiânia acompanham os casos que não melhoram em três a quatro semanas ou que se repetem.
Perguntas frequentes sobre dor na costela esquerda
Dor abaixo da costela esquerda o que pode ser?
Depende do que a acompanha. Com queimação e relação com refeições, aponta para o estômago. Em cólica, com alívio ao eliminar gases, sugere o cólon. Em ondas fortes que descem para a virilha, lembra cálculo renal. Se piora ao apertar, é da parede torácica. Baço e pâncreas exigem exame de imagem para confirmar.
Dor na costela esquerda quando aperta é grave?
Em geral, não. Dor reproduzida pela pressão do dedo vem da cartilagem, do músculo intercostal ou do osso, como na costocondrite e na fratura por tosse, e melhora em semanas com analgesia e repouso relativo. Órgãos internos, coração incluído, não doem à palpação superficial. Dor após trauma forte deve ser avaliada mesmo assim.
Qual órgão fica abaixo da costela esquerda?
Na parte alta ficam o pulmão esquerdo e o coração. Nas últimas costelas estão o baço, atrás e à esquerda, a porção superior do estômago, a cauda do pâncreas, além do topo do rim esquerdo. A curva esquerda do intestino grosso passa logo abaixo, e é onde os gases costumam se acumular.
Dor na costela esquerda nas costas é coluna?
Pode ser. Dor que contorna a costela a partir da coluna costuma vir de contratura intercostal, de bloqueio da articulação entre costela e vértebra ou de compressão de nervo intercostal. Rim e pâncreas também doem nas costas à esquerda, por isso febre, náusea ou sangue na urina mudam a investigação.
Gases embaixo da costela esquerda são normais?
São frequentes. O ângulo esplênico do cólon fica sob as últimas costelas esquerdas, e o gás preso ali distende o intestino e causa dor em cólica que alivia ao evacuar. Alimentos fermentáveis, refeições rápidas e constipação aumentam o problema. Quando persiste ou vem com perda de peso, precisa de investigação.
Resumo
Dor na costela esquerda tem, na maioria das vezes, origem na caixa torácica: costocondrite, contratura intercostal ou fratura por tosse. Dor que aumenta à pressão do dedo aponta para essa origem. Estômago, baço, pâncreas, rim e cólon ficam debaixo das costelas esquerdas e produzem dor com características próprias. Aperto no peito, suor frio e falta de ar exigem chamar o 192. Casos que não melhoram em semanas devem ser avaliados por ortopedista.





