A caixa de supermercado em Goiânia passa oito horas puxando produtos pela esteira com o polegar esticado. A costureira em Anápolis repete o mesmo gesto de pinça milhares de vezes por turno. O analista digita o dia inteiro com o punho dobrado para cima. Os três chegam ao consultório com a mesma queixa: dor que começou fraca na lateral do punho ou na base de um dedo e agora atrapalha até segurar uma xícara.
O diagnóstico, na maioria das vezes, é tenossinovite.
Apesar do nome, a coisa é simples. Tendão é a corda que liga o músculo ao osso. Em regiões onde ele muda de direção, como no punho e nos dedos, o tendão corre dentro de uma bainha, um túnel revestido por membrana sinovial que produz o líquido lubrificante. Quando essa bainha inflama e engrossa, o tendão passa a deslizar com atrito. É esse atrito que dói.
No trabalho brasileiro o problema tem peso. Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, conhecidos como LER/DORT, estão entre as doenças ocupacionais mais notificadas no país segundo o Ministério da Saúde, e o Sinan, sistema de notificação do ministério, registrou 7.259 casos em 2022. Bainhas inflamadas no punho e na mão respondem por boa parte desse grupo.
O que é tenossinovite
Tendinite é a inflamação do próprio tendão. Já a doença que ocupa este texto atinge a bainha que o envolve. Na prática clínica as duas se misturam, porque a bainha inflamada acaba irritando o tendão e vice-versa, e o tratamento inicial é parecido. A diferença aparece na evolução: bainha espessada por meses estreita o túnel e pode prender o tendão, o que gera o estalo e o travamento típicos de alguns quadros.
Sinovite, termo que aparece junto nas buscas, é outra coisa: inflamação da membrana que reveste uma articulação, como o joelho ou o punho, e não um tendão. Quando as duas coexistem, o médico investiga doença reumatológica, como artrite reumatoide, que costuma atacar várias bainhas ao mesmo tempo e de forma simétrica nas duas mãos.
Também não se trata de doença degenerativa no sentido de desgaste inevitável com a idade, como a artrose. É um processo inflamatório e mecânico, ligado a sobrecarga, e por isso regride quando a causa é controlada. Casos crônicos, com bainha fibrosada, deixam de responder a repouso. Aí o raciocínio muda.
Tipos mais comuns
A tenossinovite de De Quervain acomete os dois tendões que estendem e afastam o polegar, no lado do punho próximo a ele. Dói ao segurar o bebê no colo, torcer pano, abrir pote e girar a chave. O teste clássico consiste em fechar o polegar dentro dos outros dedos e inclinar o punho para o lado do dedo mínimo; dor aguda na região confirma a suspeita. Mulheres entre 30 e 50 anos são as mais atingidas, e a gestação e o pós-parto concentram casos, porque a retenção de líquido e o gesto repetido de erguer o bebê se somam.
O dedo em gatilho é a forma que atinge os tendões flexores dos dedos, na palma da mão. A bainha engrossa na altura de uma polia, o dedo trava dobrado e destrava com um estalo, às vezes só com ajuda da outra mão. Pela manhã é pior. Diabéticos têm risco maior e costumam apresentar mais de um dedo afetado.
No ombro, a cabeça longa do bíceps corre por um sulco no úmero, envolvida por uma bainha. Inflamação nesse ponto produz dor na frente do ombro que desce pelo braço, piora ao levantar peso com a palma virada para cima e incomoda ao deitar sobre o lado. A forma bicipital raramente aparece sozinha: quase sempre acompanha lesão do manguito rotador ou impacto no ombro, e o exame precisa olhar o conjunto.
A avaliação por ortopedia define a região e o tipo, e é o passo que muitos pulam ao se automedicar com anti-inflamatório por semanas.
Sintomas e sinais de gravidade
O sintoma central é dor localizada sobre o trajeto do tendão, que piora com o movimento específico e melhora com repouso, ao menos no início. Inchaço discreto, sensação de crepitação ao mover a região, como se algo rangesse por baixo da pele, e perda de força de pinça completam o quadro. Na De Quervain a dor irradia para o antebraço; no gatilho, o sinal marcante é o travamento.
A doença não ameaça a vida, mas pode virar um problema grave de função. Dor que impede o trabalho por mais de 15 dias leva ao afastamento pelo INSS, e a Instrução Normativa 98 de 2003 do instituto lista a De Quervain entre as lesões com nexo ocupacional reconhecido. Um dedo que trava permanentemente dobrado, uma bainha calcificada ou um tendão que rompe por atrito prolongado são as complicações que a demora produz.
Sinais de emergência são raros e têm outra cara. Punho ou dedo muito inchado, vermelho e quente, com febre e dor intensa mesmo parado, sugerem tenossinovite infecciosa, que exige pronto-socorro no mesmo dia porque a infecção no interior da bainha se espalha rápido. Dormência progressiva e perda de força súbita também pedem atendimento imediato.
Tratamento da tenossinovite
A primeira medida é tirar o gesto que causou o problema, o que exige conversa franca sobre trabalho e rotina. Uma tala que imobiliza o polegar e o punho, usada por três a seis semanas, costuma resolver boa parte dos casos de De Quervain. Anti-inflamatório por curto período e gelo ajudam nos primeiros dias.
Sem mudar o gesto, porém, o alívio dura enquanto dura a tala.
A fisioterapia entra na sequência, com mobilização do tendão, fortalecimento gradual e ajuste da postura do punho no teclado ou na máquina. Quem procura uma fisioterapia de mão e punho em Goiânia para essa fase deve confirmar convênio e agenda direto com a clínica, e vale levar a descrição do trabalho para que o programa seja montado em cima do gesto real.
O prazo de melhora varia. Casos recentes, com menos de três meses de dor, respondem em poucas semanas. Quadros com mais de seis meses de evolução já têm bainha espessa e demoram mais, e é neles que a infiltração ganha espaço.
A infiltração com corticoide, aplicada na bainha, é o passo seguinte quando tala e fisioterapia não bastam. No gatilho e na De Quervain, uma ou duas aplicações resolvem a maior parte dos casos, com melhora em dias. Repetir muitas vezes enfraquece o tendão, por isso há limite.
A cirurgia é reservada aos casos que resistem a tudo isso ou que já apresentam travamento fixo. O procedimento abre a bainha ou a polia para liberar o tendão, dura poucos minutos, é feito com anestesia local e permite mover os dedos no mesmo dia. Um cirurgião da mão em Goiânia avalia se a indicação está madura e qual a técnica, aberta ou por pequena incisão; o paciente deve confirmar convênio e agenda direto com o consultório.
Tenossinovite tem cura
Sim, na grande maioria dos casos, e sem cirurgia. O que define o resultado é a correção do gesto: pausas a cada hora de digitação, punho alinhado com o antebraço, mouse e teclado na altura do cotovelo, apoio para o antebraço na costura e rodízio de tarefas no caixa. Empresas com programa de ergonomia veem menos afastamentos, e a Norma Regulamentadora 17, do Ministério do Trabalho, trata exatamente disso.
Quem já teve o problema tende a repetir se voltar ao mesmo posto sem mudanças. Fortalecer o antebraço, alongar os extensores do punho antes do turno e reconhecer a dor no primeiro dia, e não no trigésimo, são as ferramentas que evitam a segunda rodada.
Perguntas frequentes
Tenossinovite é grave?
Na maioria das vezes não. É uma inflamação de causa mecânica que responde a repouso, tala e fisioterapia. O quadro se torna sério quando é ignorado por meses e evolui para travamento fixo do dedo ou rompimento do tendão, ou quando há infecção na bainha, situação rara que exige pronto-socorro imediato.
Tenossinovite tem cura?
Tem. Casos recentes costumam melhorar em semanas com afastamento do gesto que causou o problema, imobilização e fisioterapia. Quadros mais antigos podem precisar de infiltração com corticoide, e uma minoria vai para cirurgia de liberação da bainha, que resolve o problema de forma definitiva na maior parte dos pacientes.
O que é tenossinovite do cabo longo do bíceps?
Trata-se do processo inflamatório na bainha que envolve o tendão da cabeça longa do bíceps, no sulco do úmero, na frente do ombro. Causa dor ao levantar peso com a palma para cima e ao deitar sobre o lado. Quase sempre vem junto com lesão do manguito rotador, e o tratamento olha o ombro inteiro.
Tenossinovite é doença degenerativa?
Não. É um processo inflamatório e mecânico ligado a sobrecarga, diferente da artrose, que é desgaste progressivo da cartilagem. Quando a causa é controlada, a bainha volta ao normal. Apenas casos muito crônicos desenvolvem fibrose da bainha, e nesses o repouso sozinho já não resolve o problema.
Qual a diferença entre sinovite e tenossinovite?
Sinovite atinge a membrana que reveste uma articulação, como punho ou joelho, e causa inchaço da junta inteira. A outra atinge a bainha de um tendão, com dor localizada no trajeto dele. As duas juntas, em várias articulações, levam o médico a investigar artrite reumatoide.
Resumo
Tenossinovite é a inflamação da bainha que envolve o tendão, comum no punho, nos dedos e no ombro. De Quervain, dedo em gatilho e bíceps são as formas mais frequentes. Gesto repetido no trabalho é a causa principal. Tala, fisioterapia e infiltração resolvem a maioria dos casos; cirurgia fica para os resistentes. Inchaço com febre e calor local é emergência.





