A dor aparece uns quatro dedos abaixo da patela, do lado de dentro do joelho, e tem hora marcada: ao subir a escada do prédio, ao levantar da cadeira depois de uma reunião longa, ao virar na cama e encostar um joelho no outro. Quem corre no Parque Vaca Brava, em Goiânia, sente no quilômetro três e para. Quem tem artrose sente ao sair do carro.
O ortopedista aperta um ponto exato na borda interna da tíbia, o paciente pula, e o diagnóstico vem com um nome curioso: tendinite da pata de ganso.
O nome vem da anatomia. Três tendões, do sartório, do grácil e do semitendíneo, descem pelo lado medial da coxa e se fixam juntos na tíbia, logo abaixo do joelho. Vistos de frente, os três lembram os dedos de uma ave, e assim os anatomistas batizaram a região, chamada de pes anserinus em latim.
Entre os tendões e o osso existe uma bursa, pequena bolsa de líquido que reduz o atrito. Quando a sobrecarga irrita os tendões, fala-se em tendinite ou tendinopatia; quando inflama a bolsa, em bursite. Na prática os dois quadros se misturam e o tratamento é o mesmo, tanto que a literatura médica prefere o termo síndrome anserina para o conjunto.
Pata de ganso no joelho: quem tem mais risco
A revisão sobre a síndrome anserina publicada na Revista Brasileira de Reumatologia, por pesquisadores da Unifesp, descreve o perfil mais comum: mulheres acima do peso com artrose de joelho. A explicação anatômica é o quadril mais largo, que aumenta a angulação do joelho e a tração sobre a inserção dos tendões. O mesmo estudo cita uma série de 62 pacientes com artrose de joelho em que 46% tinham bursite anserina ao exame, todas mulheres.
Diabetes é fator de risco reconhecido.
O desgaste articular também pesa. Segundo estimativa do Ministério da Saúde, cerca de 15 milhões de brasileiros convivem com artrose, e o joelho é a articulação mais atingida. Nesse grupo, a dor no lado de dentro muitas vezes não vem da cartilagem gasta, mas dos tendões inflamados na inserção, e o tratamento certo muda o resultado.
Corredores e praticantes de esporte com muita mudança de direção, como futebol e vôlei, formam o outro grupo. Aumento súbito de volume de treino, corrida em piso inclinado, tênis gasto e fraqueza dos músculos do quadril sobrecarregam os tendões mediais. Pés que pronam demais, joelhos que se aproximam ao agachar e encurtamento dos isquiotibiais completam a lista.
A ortopedia enxerga a região como parte de uma cadeia: quadril fraco, joelho desalinhado, pé instável. Tratar só o ponto que dói costuma dar alívio curto. Há uma reportagem específica sobre condropatia patelar que complementa esta leitura. Esse ponto se conecta com a matéria sobre coxartrose.
Sintomas e diferença para menisco
O sintoma clássico é dor bem localizada, uns 4 a 6 centímetros abaixo da linha da articulação, na parte de dentro. Ela piora ao subir e descer escada, ao levantar de cadeira baixa, ao ficar em pé por muito tempo e à noite, quando um joelho toca o outro na cama. Pode haver inchaço discreto e calor local. Ao apertar o ponto exato onde os tendões se fixam, a dor é reproduzida na hora.
A confusão com lesão de menisco medial é frequente, porque a dor fica do mesmo lado. Algumas pistas separam as duas. A dor do menisco fica na linha da articulação, mais acima, e costuma vir com travamento, estalo dentro do joelho ou sensação de falseio, quase sempre depois de uma torção. Já a dor anserina fica mais baixa, não trava a articulação e aparece sem trauma, por acúmulo.
O exame físico bem feito resolve a maior parte das dúvidas. A ultrassonografia mostra a bursa distendida e os tendões espessados, e a ressonância entra quando há suspeita de menisco ou de lesão da cartilagem junto. Muita gente chega ao consultório com ressonância mostrando um menisco degenerado, comum depois dos 50 anos, e a dor real vindo dos tendões.
Tratar a imagem, e não o paciente, leva a cirurgia desnecessária.
Tratamento da tendinite da pata de ganso
A fase aguda pede redução da carga, e não repouso absoluto. Trocar a corrida por bicicleta ou natação por duas a quatro semanas, evitar escadas e agachamentos profundos, aplicar gelo por 15 minutos duas ou três vezes ao dia. Anti-inflamatório por curto período, sob prescrição, alivia a dor inicial. Quem dorme de lado ganha com um travesseiro entre os joelhos.
A fase seguinte é a que decide se o problema volta. Fortalecer glúteo médio, quadríceps e isquiotibiais, alongar a cadeia posterior e corrigir o alinhamento do joelho ao agachar reduzem a tração sobre a inserção. Um programa de exercícios para fortalecer o joelho orientado serve de base, e a progressão de carga deve ser lenta.
Na fisioterapia essa progressão ganha organização, com recursos como terapia manual, liberação dos isquiotibiais e correção do gesto de corrida. Quem convive com desgaste articular trabalha também o controle de peso, porque cada quilo a menos reduz a carga sobre o joelho em vários quilos a cada passo.
Infiltração com corticoide na bursa fica reservada aos casos que não respondem em seis a oito semanas, e alivia rápido, sobretudo nas mulheres com artrose associada. Ondas de choque e agulhamento seco têm uso em tendinopatias crônicas. Cirurgia é exceção rara, indicada quando a bursa se torna crônica e volumosa e nada mais funciona. Esse ponto se conecta com a matéria sobre tendinite no ombro.
Quem prefere começar pela avaliação médica pode procurar um cirurgião de joelho em Goiânia, que diferencia a síndrome anserina de menisco e artrose no exame físico e define a necessidade de imagem; o paciente deve confirmar convênio e agenda direto com o consultório.
Pata de ganso tem cura
Tem, na grande maioria dos casos, e sem cirurgia. Quadros recentes em corredores melhoram em três a seis semanas com ajuste de treino e fortalecimento. Em pacientes artrósicos e acima do peso a evolução é mais lenta, de dois a três meses, e a recidiva é comum se o peso e a fraqueza muscular não forem tratados. O retorno à corrida deve ser gradual, começando com metade do volume anterior.
Prevenir é repetir a lista do tratamento: quadril forte, isquiotibiais flexíveis, aumento de carga de no máximo 10% por semana, tênis adequado e atenção ao primeiro sinal de dor no lado de dentro do joelho. Em Goiânia, onde a corrida de rua cresceu nos últimos anos, o quadro virou frequente em quem sai do sedentarismo direto para treinos longos.
Para a fase de reabilitação, uma fisioterapeuta esportiva em Goiânia monta o programa em cima do gesto esportivo ou da rotina de quem tem artrose; confirme antes convênio e horários com a clínica.
Perguntas frequentes
O que é pata de ganso no joelho?
É a região da face interna da tíbia, logo abaixo do joelho, onde três tendões da coxa se inserem juntos, lembrando os dedos de uma ave. Entre eles e o osso há uma bursa cheia de líquido. Quando tendões ou bolsa inflamam por sobrecarga, surge dor localizada, comum em corredores e em pessoas com artrose.
Pata de ganso no joelho tem cura?
Tem, e na maioria das vezes sem cirurgia. Redução temporária da carga, gelo, fortalecimento de glúteo e quadríceps e alongamento dos isquiotibiais resolvem quadros recentes em três a seis semanas. Casos ligados a artrose e sobrepeso demoram mais e voltam se peso e fraqueza muscular não forem tratados juntos.
Como tratar a tendinite da pata de ganso?
Comece trocando corrida e escada por bicicleta ou natação por algumas semanas, com gelo local. Depois vem o fortalecimento de quadril e coxa e a correção do alinhamento do joelho, com fisioterapia. Infiltração fica para quem não melhora em dois meses. Anti-inflamatório só por curto período e com prescrição.
Quais músculos formam a pata de ganso?
Sartório, grácil e semitendíneo. O primeiro atravessa a coxa em diagonal, o segundo desce pela parte interna e o terceiro é um dos isquiotibiais, na parte de trás. Os três se inserem lado a lado na borda medial da tíbia, e a fraqueza ou o encurtamento de qualquer um deles sobrecarrega a inserção comum.
Qual a diferença entre bursite e tendinite da pata de ganso?
Na bursite, inflama a bolsa entre tendões e tíbia; na tendinite, os próprios tendões. Os sintomas são quase iguais, com dor no mesmo ponto, e o exame de imagem é o que separa os dois. Como o tratamento não muda, muitos médicos usam o termo síndrome anserina para ambos.
Resumo
Pata de ganso é a inserção conjunta de três tendões na parte interna da tíbia, pouco abaixo da articulação do joelho. A inflamação ali causa dor ao subir escada, correr e deitar de lado. Mulheres com artrose e sobrepeso e corredores em aumento de treino são os mais atingidos. A dor fica abaixo da linha articular, o que a separa da lesão meniscal. Fortalecimento de quadril e coxa resolve a maior parte dos casos.





