Uma professora de 44 anos, de Goiânia, passou a evitar escrever no alto da lousa. O braço direito subia até a altura do peito e travava numa fisgada que descia pela lateral. À noite, virar para o lado na cama acordava. O diagnóstico veio depois de um ultrassom: tendinite no ombro, com o tendão do supraespinhal espessado e a bursa inflamada.
A história se repete em consultórios de todo o país. Segundo a Revista Brasileira de Ortopedia, publicação da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, a dor no ombro atinge entre 7% e 34% dos adultos, sobretudo acima dos 40 anos. Já a síndrome do manguito rotador, que inclui as tendinites, é o diagnóstico mais frequente, presente em até 40% dos casos de ombro doloroso.
O texto a seguir organiza o que o ortopedista avalia nessa queixa: como reconhecer a tendinite, por que ela dói no pescoço, o que fazer para dormir, quais exercícios ajudam e em que ponto a fisioterapia dá lugar à infiltração ou à cirurgia.
O que é a tendinite no ombro
Tendinite é a inflamação de um tendão, a estrutura que liga o músculo ao osso. No ombro, os tendões mais atingidos são os quatro do manguito rotador, o conjunto que estabiliza a cabeça do úmero dentro da articulação, e o da cabeça longa do bíceps. O supraespinhal, que passa por baixo do acrômio, é o campeão de lesões.
Há uma sutileza de nome. Quando o processo é agudo, com inflamação de verdade, fala-se em tendinite. Quando é crônico, com degeneração das fibras e pouca inflamação, o termo correto é tendinopatia ou tendinose. Na prática, os pacientes e boa parte dos médicos usam tendinite para as duas situações, e o tratamento inicial é parecido.
A bursite costuma vir junto. A bursa subacromial é uma bolsa de líquido que fica entre o tendão e o osso, e quando o tendão inflama ela também engrossa. Por isso as duas palavras aparecem lado a lado nos laudos de ultrassom. Já a tendinite calcária é uma variante em que cristais de cálcio se depositam dentro do tendão. Segundo a SBOT, a calcificação é mais comum entre os 30 e os 45 anos e afeta mais mulheres do que homens.
Sintomas de tendinite no ombro
A dor ao levantar o braço é a marca registrada. Ela aparece principalmente entre 60 e 120 graus de elevação, o arco em que o tendão passa apertado entre a cabeça do úmero e o acrômio. Pentear o cabelo, alcançar a prateleira alta, vestir a camisa e prender o sutiã são os gestos que mais provocam a fisgada.
A dor noturna é o segundo sinal, e o que mais leva as pessoas ao consultório. Deitar sobre o ombro afetado fica impossível, e mesmo de barriga para cima o braço parece não achar lugar. O sono fragmentado, semana após semana, cansa mais do que a dor em si.
Muita gente descreve a dor irradiando para o pescoço e para o meio do braço. O pescoço dói porque o trapézio e os músculos elevadores da escápula passam a trabalhar em excesso para compensar o ombro que não funciona bem, e essa tensão se acumula. Já a dor no meio do braço é referida, ou seja, é sentida longe de onde nasce. Fraqueza discreta, estalos e sensação de ombro pesado completam o quadro.
Diferenciar tendinite de ruptura do tendão é uma etapa importante, porque muda o tratamento. Perda de força acentuada, braço que não sobe sozinho e dor que começou de repente após uma queda apontam para rompimento, tema tratado na matéria sobre como saber se o tendão do ombro rompeu. Na tendinite simples, a força está preservada, embora a dor limite o movimento. Há uma reportagem específica sobre tendão do ombro rompido volta ao normal que complementa esta leitura. Vale ler também o que a revista publicou sobre pata de ganso.
Como o diagnóstico é feito
O exame físico responde a maior parte das perguntas. O ortopedista testa cada tendão do manguito com manobras específicas, avalia a amplitude de movimento e procura os pontos de dor. Testes como o de Neer e o de Hawkins provocam a fisgada quando há atrito do tendão contra o acrômio.
A ultrassonografia é o exame de imagem mais usado no início, porque mostra o tendão espessado, o líquido na bursa e eventuais calcificações, com custo baixo e sem radiação. Já a ressonância magnética entra quando há suspeita de ruptura, quando a dor não melhora com o tratamento inicial ou quando se planeja cirurgia. Radiografia simples serve para ver calcificações e alterações ósseas.
Nas clínicas de ortopedia de Goiânia, a avaliação inicial costuma incluir também perguntas sobre trabalho, esporte e postura, porque a causa mecânica define parte do plano. Pintores, cabeleireiros, professores, nadadores e praticantes de musculação com muito exercício acima da cabeça formam o público mais frequente. Para entender melhor, a revista tem um texto dedicado a osteonecrose da cabeça femoral.
Tratamento da tendinite no ombro
O tratamento começa quase sempre sem cirurgia, e a maioria melhora assim. A primeira medida é o repouso relativo: não é parar o braço, e sim evitar por algumas semanas os movimentos que provocam a dor, em especial os acima da cabeça e o carregamento de peso com o braço afastado do corpo. Imobilizar por completo enrijece a articulação e piora o quadro.
Anti-inflamatórios por curto período e analgésicos controlam a fase aguda. Gelo por 15 a 20 minutos, duas ou três vezes ao dia, ajuda nos primeiros dias; depois, muitos pacientes preferem calor antes dos exercícios. Nenhum desses recursos trata a causa, e por isso a fisioterapia é o eixo do tratamento.
Fisioterapia para tendinite no ombro
A fisioterapia atua em duas frentes. Na fase dolorosa, usa recursos como eletroterapia, ultrassom terapêutico, laser e técnicas manuais para reduzir dor e inflamação. Em seguida, entra o que de fato muda o resultado: fortalecimento do manguito rotador e dos músculos que estabilizam a escápula, alongamento da cápsula posterior e reeducação do movimento.
Um fisioterapia do ombro em Goiânia monta o programa conforme a fase e a rotina de cada pessoa, com sessões no consultório e tarefas para casa. Convênio e disponibilidade de horários devem ser confirmados direto com a clínica. A adesão ao exercício diário, e não o aparelho usado na sessão, é o que mais pesa no resultado. Esse ponto se conecta com a matéria sobre RPG fisioterapia.
Exercícios para tendinite no ombro
Os exercícios mais indicados são os de rotação externa e interna com faixa elástica, com o cotovelo colado ao corpo, e os de fortalecimento da escápula, como remada baixa e retração com a faixa. O alongamento pendular, em que a pessoa inclina o tronco e deixa o braço balançar solto, alivia a tensão sem forçar o tendão.
Nenhum exercício deve provocar a fisgada aguda. Desconforto leve é aceitável; dor que aumenta durante ou depois da série significa carga excessiva ou execução errada. Elevações laterais com peso e supino com barra ficam suspensos até liberação, porque comprimem o tendão contra o acrômio.
Infiltração e cirurgia
Quando a dor não cede após seis a doze semanas de tratamento bem feito, a infiltração com corticoide na bursa subacromial é uma opção. Ela reduz a inflamação por semanas a meses e abre uma janela para a fisioterapia avançar. Repetir muitas vezes, porém, enfraquece o tendão, e a maioria dos especialistas limita o número de aplicações.
A cirurgia fica reservada a poucos casos: tendinite calcária que não responde ao tratamento, atrito ósseo importante que exige acromioplastia ou ruptura do tendão associada. O procedimento costuma ser artroscópico, por pequenos furos, com alta no mesmo dia ou no seguinte. Um ortopedista de ombro e cotovelo em Goiânia é quem avalia essa indicação, e o paciente deve confirmar convênio e agenda com o consultório antes da consulta.
Como dormir com tendinite no ombro
A posição que mais alivia é de barriga para cima, com um travesseiro fino sob o cotovelo do lado dolorido, para que o braço não fique pendurado para trás. Quem só dorme de lado deve deitar sobre o ombro saudável e abraçar um travesseiro, mantendo o braço afetado apoiado à frente do corpo.
Dormir sobre o ombro inflamado piora a dor e prolonga a recuperação. Um banho morno antes de deitar e o alongamento pendular ajudam a relaxar a musculatura. Se a dor noturna persistir apesar dessas medidas, vale relatar ao médico, porque pode ser necessário ajustar a medicação ou antecipar a infiltração.
Prevenção no dia a dia
Fortalecer o manguito rotador e a musculatura da escápula, mesmo depois de a dor sumir, é a forma mais segura de evitar recidiva. Quem treina musculação deve incluir rotações com faixa no aquecimento e evitar progressão brusca de carga nos exercícios acima da cabeça.
No trabalho, pausas curtas a cada hora e ajuste da altura da bancada ou do monitor reduzem a sobrecarga. Pintores, eletricistas e cabeleireiros de Goiânia, Anápolis e Rio Verde, que passam horas com o braço elevado, se beneficiam de alternar tarefas ao longo do dia. Postura com os ombros para a frente, comum em quem usa muito celular, também estreita o espaço do tendão e merece correção.
Perguntas frequentes sobre tendinite no ombro
Como tratar tendinite no ombro?
Repouso relativo dos movimentos que doem, anti-inflamatório por curto período, gelo na fase aguda e fisioterapia com fortalecimento do manguito rotador e da escápula. A maioria melhora em seis a doze semanas. Infiltração com corticoide é opção quando a dor persiste, e a cirurgia fica para calcificações resistentes ou rupturas associadas.
O que é bom para tendinite no ombro?
Fisioterapia com exercícios de rotação com faixa elástica e fortalecimento da escápula é o que mais funciona. Gelo nos primeiros dias, calor antes dos exercícios e evitar carregar peso com o braço afastado do corpo completam o cuidado. Pomadas e remédios aliviam, mas não corrigem a causa mecânica.
Como dormir com tendinite no ombro?
De barriga para cima, com um travesseiro fino sob o cotovelo do lado dolorido, ou de lado sobre o ombro saudável, abraçando um travesseiro para apoiar o braço afetado. Dormir sobre o ombro inflamado piora a dor. Banho morno e alongamento pendular antes de deitar ajudam a relaxar.
Tendinite no ombro dói o pescoço?
Sim. Os músculos do pescoço e a parte alta do trapézio trabalham em excesso para compensar o ombro que não funciona bem, e essa sobrecarga gera dor e tensão na região cervical. Tratar a tendinite e relaxar a musculatura do pescoço costuma resolver as duas queixas ao mesmo tempo.
Quais exercícios são indicados para tendinite no ombro?
Rotação externa e interna com faixa elástica, cotovelo junto ao corpo; remada baixa e retração da escápula; alongamento pendular. Nenhum deles deve provocar fisgada aguda. Elevações laterais com peso e supino ficam suspensos até liberação do fisioterapeuta ou do ortopedista, porque comprimem o tendão.
Resumo
Tendinite no ombro causa dor ao levantar o braço, dor noturna e, muitas vezes, dor no pescoço. O diagnóstico une exame físico e ultrassom. O tratamento é conservador na maioria dos casos: repouso relativo, medicação por pouco tempo e fisioterapia com fortalecimento. Infiltração e cirurgia ficam para os casos que não respondem. Fortalecer o manguito rotador previne a volta da dor.





