1. Quando se fala em checkup, muita gente associa o exame apenas a pessoas com problemas cardíacos. Esse é um erro comum?
É um dos mais frequentes. O checkup não é só para quem tem problema no coração, é uma avaliação ampla, voltada para qualquer pessoa que queira entender como está sua saúde hoje e o que precisa ser cuidado nos próximos anos. Atendo pacientes jovens, empresários, mulheres na menopausa, atletas, pessoas com histórico familiar relevante. Cada perfil pede um olhar diferente, e o objetivo é sempre o mesmo: prevenir, antecipar e orientar.
2. O senhor costuma falar sobre a importância de ter um "médico de confiança". Por que isso ainda é tão relevante?
Porque o paciente muitas vezes sente que algo não vai bem e não sabe a quem recorrer. Acaba indo direto a um especialista que pode não ser o ideal para aquela queixa, repete exames desnecessários ou adia o que de fato precisa ser feito. Ter um médico para "chamar de seu" significa ter alguém que conhece a sua história, a sua família, o seu estilo de vida, e que serve de referência sempre que algo aparece. É um vínculo que economiza tempo, dinheiro e angústia.
3. Como é este papel de médico de referência sendo Cardiologista?
O coração é a porta de entrada. A maioria das doenças crônicas que mais adoecem e matam (hipertensão, diabetes, obesidade, dislipidemia) passa por ele. Mas o meu olhar não fica preso ao coração. Eu olho o paciente como um todo, um olhar 360 graus, que considera sono, alimentação, saúde mental, hormônios, atividade física, trabalho. Tudo isso conversa com o coração e com a longevidade. Avaliar só o órgão isolado é perder o paciente de vista.
4. E quando o paciente precisa de um cuidado que vai além da cardiologia?
Isso é outra parte importante do meu trabalho. Eu não vou tratar tudo diretamente, isso não seria responsável, mas eu vou resolver o problema do paciente. Os anos à frente da gestão de alguns dos melhores hospitais de Goiânia me permitiram conhecer de perto os profissionais que realmente fazem a diferença em cada especialidade, e construir, ao longo do tempo, uma rede de apoio com gente de excelência. Então quando identifico que o caso precisa de um endocrinologista, de um ortopedista, de um neurologista ou de um cirurgião, o paciente não sai do consultório com uma indicação genérica, sai com o encaminhamento certo, para a pessoa certa, e segue acompanhado por mim até que a questão esteja resolvida. O paciente nunca fica sozinho no caminho.
5. Hoje se fala muito em longevidade, biohacking, terapias avançadas. Como o senhor enxerga essa tendência?
Acho legítimo que as pessoas busquem alternativas mais modernas, e a ciência da longevidade tem avançado de fato. Mas costumo dizer aos meus pacientes que viver mais e melhor é, antes de tudo, fazer o básico bem feito. Dormir bem, comer com qualidade, mover o corpo todos os dias, controlar pressão e colesterol, manter vínculos afetivos saudáveis, fazer exames de rotina no tempo certo. Parece simples, mas é o que de fato sustenta uma vida longa e com qualidade. Quem ignora o básico correndo atrás do extraordinário costuma colher menos do que imagina.





