“Doutora, frequentemente surgem espinhas no meu couro cabeludo, tenho que me preocupar com isso? O que isso pode ser?” As espinhas no couro cabeludo são chamadas de foliculites e existem várias causas diferentes para elas, explica a Dra. Lorena Dourado Alves, Dermatologista com Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e com Formação em Tricologia (ciência que estuda o cabelo) pela Faculdade de Medicina do ABC e pela USP.
Segundo a Dra. Lorena Dourado, um problema comum no couro cabeludo é a foliculite, que é uma inflamação no folículo piloso. Uma espécie de “espinha” que fica avermelhada com pús e dor no local. Pode aparecer isoladamente, com poucas lesões ou várias simultaneamente. Quando aparecem isoladas, podem ser apenas uma manifestação de um couro cabeludo mais oleoso ou surgir por efeito de algum produto que estiver aplicando no couro cabeludo ou ser a manifestação de alguma doença do couro cabeludo.
A Dra. Lorena explica que as doenças mais comuns que se manifestam com lesões que lembram espinhas no couro cabeludo são a foliculite decalvante, a foliculite dissecante e o líquen plano pilar.
A foliculite decalvante é uma doença que começa com lesões de foliculite, mais comuns na região do vértex (topo) da cabeça e no processo de cicatrização das lesões, evolui com falhas no cabelo de aspecto cicatricial, onde não há mais o nascimento de cabelos no local e com formação de “tufos” de cabelo, como se vários fios se unissem formando um grande “buquê de fios” (mais de 8 fios saindo do mesmo local, sendo que nas pessoas sem essa doença saem, geralmente, até 4 fios do mesmo local). É uma doença que embora ainda não tenha cura, deve ser tratada para atingir um controle e evitar a piora das lesões com aumento das falhas cicatriciais, informa a Dra. Lorena Dourado.
A foliculite dissecante, também conhecida como foliculite abscedante, é uma doença que é mais comum em homens. Caracteriza-se por lesões de foliculites com acúmulo maior de pús e queda de cabelo no local. Conforme explica a Dra Lorena, “Da mesma forma que as espinhas da face, ela faz parte de um grupo de doenças, que pode apresentar formação de abscessos que são grandes coleções de pús. Esse pús localiza-se, no início, mais profundamente no couro cabeludo, não destruindo o folículo, dessa forma, com o tratamento, é possível que o cabelo volte a nascer novamente no local afetado. Em alguns casos, em algumas áreas a inflamação pode ficar tão grande que pode destruir o folículo e se transformar em área cicatricial, sem nascimento de cabelos no local, mas isso ocorre menos frequente nessa doença”.
O Líquen Plano Pilar é uma doença “autoinflamatória” em que seu próprio organismo ataca seu cabelo, gerando um processo inflamatório em que há a destruição dos folículos do local, formando falhas no cabelo de aspecto cicatricial, é um tipo diferente de doença autoimune que não aumenta a chance de ter outras doenças associadas e que não afeta os órgãos internos do corpo. É uma doença que manifesta-se também com foliculites, geralmente com saída de menos secreção purulenta ou sangue que nas doenças anteriores e, pode ser associada à coceira no local. Nela, também pode haver a formação de tufos de cabelo, porém com menos fios que na foliculite decalvante. É uma doença que também tratamos buscando atingir um controle já que por ser autoimune, não possui cura, ressalta a Dra. Lorena Dourado.
Se você apresenta um couro cabeludo sensível, com dor, coceira, descamação, foliculite ou outros problemas, procure um dermatologista com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia para que este faça seu diagnóstico e inicie seu tratamento da forma mais adequada às suas necessidades clínicas. “Lembre-se que não só seus cabelos mas também seu couro cabeludo merecem atenção e cuidados constantes para ficarem sempre bonitos e saudáveis”, conclui a Dra Lorena Dourado.





