A triagem auditiva neonatal é indispensável, rápida e indolor. Mas passar no teste da orelhinha não significa estar protegido contra perdas auditivas por toda a infância.
A Academia Americana de Pediatria afirma que a audição da criança pode mudar ao longo do tempo e recomenda triagens auditivas até a idade de 10 anos.
A infância é um período em que ouvir bem não significa apenas perceber sons. A audição organiza a entrada da linguagem, sustenta a construção da fala, favorece a aprendizagem escolar e participa da socialização. Por isso, uma perda auditiva leve, unilateral ou flutuante pode ser suficiente para alterar a forma como a criança entende comandos, acompanha conversas em ambientes ruidosos, desenvolve vocabulário e se comporta em sala de aula. Muitas vezes, o primeiro sinal não é a queixa de “não escutar”, mas atraso de fala, desatenção, troca de sons, aumento exagerado do volume da televisão ou dificuldade para responder quando chamada de longe.
O check-up auditivo infantil, precisa fazer parte do cuidado preventivo, assim como a avaliação visual, o acompanhamento do crescimento e as consultas pediátricas de rotina.
A recomendação é que o check up auditivo infantil seja realizado anualmente até a idade de 10 anos, por uma equipe especializada em avaliação auditiva infantil.
O teste da orelhinha salva oportunidades, mas o acompanhamento auditivo preserva trajetórias. Identificar cedo uma alteração auditiva pode significar oferecer intervenção no momento certo, evitar atrasos de linguagem, reduzir dificuldades escolares e permitir que a criança participe plenamente do mundo sonoro ao seu redor.





